O QUE É NUTRIGENÔMICA E COMO ELA INFLUENCIA MINHA VIDA?
Nutrigenômica é a ciência que estuda a interação gene-nutriente.
Mas não seria muita pretensão achar que nutrientes exercem ação sobre os nossos genes? Não. Achar o contrário seria pura ignorância, e explicarei porquê.
Processos como metabolismo, inflamação e estresse oxidativo envolvem atuação de diferentes proteínas, que incluem, entre outras, enzimas e hormônios, por exemplo. A produção destas proteínas acontece por meio de um processo denominado expressão gênica, e alterações neste processo estão envolvidas no desenvolvimento das diferentes doenças crônicas não transmissíveis. Nutrientes e compostos bioativos apresentam diferentes alvos moleculares e podem apresentar ações benéficas ou deletérias, dependendo de quais genes têm a expressão alterada.
Há duas formas complementares de interação gene-nutriente:
1- Nutrientes e compostos bioativos dos alimentos modulam o funcionamento do genoma: Já ouviu falar que consumir suco de uva diminui o risco de doenças cardiovasculares? Isto é comprovado e ocorre porque compostos fenólicos como o resveratrol (presente em uvas, suco de uva, vinho tinto) são capazes de apresentar ações transcricionais indiretas, afetando negativamente vias de sinalização celular, como a do fator nuclear kappa B (NF-κB). Este fator nuclear tem importante participação na fisiologia normal, porém sua atividade excessiva é associada a doenças crônicas não transmissíveis, como resistência a insulina, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e obesidade.
2 - Características do genoma influenciam a resposta à alimentação, necessidade de nutrientes e risco para desenvolver doenças crônicas não transmissíveis: Um exemplo disto são pessoas com polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs, pronunciam-se “snips”) do gene que codifica para a enzima metilenotetrahidrofolato redutase, relacionado ao metabolismo do ácido fólico. Estes indivíduos parecem necessitar de consumo muito maior de ácido fólico.
A Nutrigenômica baseia-se nos seguintes princípios:
• Dietas inadequadas em determinados indivíduos e em determinadas situações representam fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis
• Nutrientes e compostos bioativos normalmente presentes nos alimentos alteram a expressão gênica e/ou estrutura do genoma
• A influência da dieta na saúde depende da estrutura genética do indivíduo
• Determinados genes e suas variantes comuns são regulados pela dieta e podem participar de doenças crônicas não transmissíveis
• Intervenções dietéticas baseadas na necessidade e estado nutricional, bem como no genótipo, podem ser utilizadas para desenvolver uma nutrição personalizada que otimize a saúde e previna ou mitigue doenças crônicas não transmissíveis
A elucidação da interação bidirecional entre a alimentação e o genoma possibilitará o estabelecimento de recomendações nutricionais personalizadas, baseadas no DNA, para se promover a saúde.